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Arquivista – Vinícius Lobo

Adquiri essa HQ no FIQ 2022, pelo financiamento do Catarse, e finalmente ela ficou pronta e chegou esses dias. Já vimos aqui duas outras obras do autor, Ilha dos Ratos, uma mistura de fábula, crítica social e história de investigação no estilo Noir, e Caxinã, uma HQ nacional e independente sobre Kaijus, monstros gigantes inspirados em filmes da cultura pop japonesa, como Godzilla.

Em sua mais recente obra, Vinícius Lobo nos leva a uma narrativa dividida em três episódios, inspirada pelo formato do filme Memories (1995) de Katsuhiro Otomo. Neste universo, sobre o qual temos um vislumbre por três episódios, vemos um pouco dos acontecimentos em torno do surgimento, estabelecimento e modificação de uma máquina/inteligência artificial conhecida como Arquivista.

O primeiro episódio ocorre no passado e mostra as origens da máquina/organização, talvez ali no período da revolução industrial. Tudo começa com a usurpação de uma pesquisa.

O segundo, ocorre num tempo análogo à nossa época contemporânea, e envolve um incidente de consequências terríveis envolvendo a tripulação de um navio, que reflete no “vazamento” de armas biológicas sobre em uma cidade.

O terceiro episódio ocorre num futuro distópico em que o Arquivista se estabeleceu como uma entidade que monitora e controla a sociedade. Aqui vemos aspectos negativos que podem ocorrer com a sociedade quando uma ferramenta de inteligência artificial sob o controle de grupos de interesse se estabelece.

Talvez, possamos ler como uma alusão ao sistema atual que vemos em partes do mundo e da influência de grupos econômicos e tecnológicos sobre a vida social. Aqui, temos uma guerrilheira e hacker insatisfeita com a situação de seu mundo, lutando para modificá-lo a partir de seu elemento chave, o próprio código-fonte da inteligência artificial que influencia e modera o funcionamento social.

Uma das coisas que aprecio nas obras do autor é que ver que ainda é adepto do processo analógico de produção. Vemos aqui seus traços cuidadosos e bom domínio da construção de cenas em preto e branco com o bom e velho nankin.

Além disso, o autor vem demonstrando um domínio crescente da própria forma da narrativa visual inerente e única à nona arte. Então, o Arquivista é uma ótima opção para os apreciadores de uma narrativa de ficção científica, repleta de ação e que nos dá um vislumbre de um universo fictício, bastante particular, com um toque tupiniquim e que emerge da mente do autor.

Dungeoneers #0 – Marcio Fiorito – Dayvison Manes

Dungeoneers #0, primeiro quadrinho autoral de Marcio Fiorito (Marvel, Valiant, IDW) foi lançado na CCXP 2022, mas tive a chance de adquirir na Feira de Quadrinhos da Casa que rolou de 16 a 18 de dez/22, em Belo Horizonte.

A fantasia medieval e histórias inspiradas em RPG estão entre as minhas favoritas, então, não deu pra resistir…

Esse número Zero tem apenas 12 páginas e é uma pequena introdução da série que o Fiorito pretende produzir. O traço do artista é excelente e, apesar da história curtinha, já consegue passar um clima de tensão e mistério.

Conhecemos um quarteto de aventureiros que vivem num mundo de fantasia e cujo ganhã-pão é explorar masmorras antigas e recuperar tesouros.

A capa é colorida, em papel couché 115 g, o miolo preto e branco, em papel offset 90 g, e estava à venda pelo preço de R$ 15,00.

Dungeoneers #0 foi escrita e desenhada por Marcio Fiorito, com letras e design de Deyvison Manes, as cores da capa são de Alex Guimarães.

Apesar de curtinha, recomendo conhecer o preview, pois temos personagens promissores e arte incrível! Tive oportunidade de bater um papo com o autor e ele está em dúvida quanto ao formato/tamanho para lançamento das próximas edições. Deixei minha sugestão para lançar episódios curtos… Ficamos na expectativa de ver o desenrolar da série!

Abaixo mais algumas imagens do quadrinho:

Márcio Fiorito nas redes:

Drop Dead – Aluísio C. Santos

Mais uma HQ da Quad Comics! Drop Dead é uma HQ com história fechada de 82 páginas, formato A4, que foi publicada em 2016. Conta a história de William, um adolescente que adora andar de skate e escutar música. Ele mora em São Paulo e, após a morte de seu pai, começa enxergar espíritos.

A renda da família vinha do trabalho do pai, deixando a mãe preocupada, tanto com o sustento do lar, como com a saúde mental do filho. William vai em vários psicólogos, mas não para de ver os espíritos, até que, por sugestão de sua mãe, vai até um centro espírita.

Mesmo relutante, ele descobre que seu dom pode ser útil aos desencarnados… A história evolui o levando a entender melhor as circunstâncias da morte de seu pai.

A HQ é toda colorida e arte expressiva e com pinceladas bem soltas é um ponto de destaque. A narrativa visual é muito bem construída com boas cenas de ação.

No momento da publicação desse artigo, a HQ está em preço promocional na loja da Quad. Aproveite!

Ilha dos Ratos – Vinícius Lobo

Faz pouco tempo que escrevemos sobre Caxinã, de Vinícius Lobo. Hora de conhecermos Ilha dos Ratos, a terceira HQ do autor. Nessa obra, Lobo mostra um trabalho mais maduro, tanto no roteiro, arte e narrativa visual que resultou numa obra-prima.

A chegada na ilha

Ilha dos Ratos é uma mistura de fábula, crítica social e história de investigação no estilo Noir. Lobo conta a história épica dos camundongos e ratazanas acompanham os humanos numa embarcação que os leva a um novo território, a farta e paradisíaca Ilha dos Ratos. Ali, os ratos constroem uma cidade próspera que atinge seu ápice envolta em fartura e felicidade. Porém, logo o crescimento desordenado e veloz da população leva a uma crise de profunda escassez de alimentos, evidenciando um problema na organização social dos roedores, a divisão de classes.

Período de fartura

Em meio a essa crise, roedores começar a buscar alimentos em outros lugares da ilha, tomada pelos humanos, enquanto uma série de desaparecimentos misteriosos começa a acontecer. É aí que entram os dois detetives, Hopper e Byers (homenagem a Stranger Things?).

A dupla de detetives foi bem construída e começa a investigar o desaparecimento de Laurindo. No início, a investigação aponta para o problema das excursões para procurar comida, mas acaba se esbarrando numa trama mais pesada e que quando revelada irá exigir grande sacrifício da dupla de detetives. Vale dizer que a história conta bom boas sequências de ação, tiroteio e pancadaria.

Além da trama e personagens, muito bem construídos, vemos uma crítica social na obra. Segundo o próprio autor, usar ratos no lugar de humanos, permitiu que abordasse alguns assuntos pesados com certo toque de leveza, e também explorar algumas metáforas. A obra aborda com maior ou menor profundidade temas como a lealdade, desigualdade, egoismo, religião, racismo, entre outros temas.

Na parte da arte da HQ, vê se os contrastes do preto e branco muito bem utilizados, excelente narrativa visual e cenários muito bem construídos, com destaque para a parte arquitetônica.

Fica aqui a recomendação para a leitura dessa excelente HQ.

Sobre o autor

Vinícius Lobo é autor de quadrinhos desde 2019, quando publicou “Um Apelo à Vadiagem”, história baseada em sua decepção com sua primeira relação profissional com a Arquitetura e Urbanismo. Continuou desenhando durante a pandemia, publicando outra obra, “Caxinã”, que refletia sobre a relação fetichista do Brasil com o militarismo durante a crise sanitária. Em 2021, terminou a “Ilha dos Ratos”, financiada coletivamente. Lobo se dispõe a pensar o mundo cotidiano de forma crítica, mesmo que não expresse diretamente. Suas histórias são construídas a partir de sua relação coma a realidade, quase sempre inconformado, mas sempre esperançoso na mudança.

Auto retrato do Lobo encontrado na lombada da HQ

Visite a loja do Lobo e seu perfil no Fliptru onde você poderá ler algumas HQs no formato digital. Instagram: https://www.instagram.com/lobo.arte/

Caxinã – Vinícius Lobo

Essa foi mais uma das felizes aquisições do FIQ 2022. Caxinã é uma HQ nacional e independente sobre Kaijus, monstros gigantes inspirados em filmes da cultura pop japonesa, como Godzilla. É a segunda HQ do autor e foi publicada em 2020.

Caxinã é nome dado ao monstro e, na minha percepção, protagonista da história. No posfácio, o autor esclarece que “Caxinã é uma referência a Herpetotheres cachinnans, o nome científico do Acauã, a ave do sertão conhecida pelo seu canto de mau agouro que anuncia a aproximação da morte”. E realmente o Kaiju Caxinã é mesmo o arauto da morte!

Acauã (Portal Jeito Nordestino)

A história se passa no país fictício, Antipétria, semelhante ao Brasil em aspectos visuais e culturais, mas um pouco diferente, aqui e ali… A narrativa já começa com a crise estabelecida, ou seja, o monstro gigante está a solta e causando destruição por onde passa.

Os personagens da trama são principalmente políticos e militares. Podemos ver a trama de um lado, mostrando o comportamento dos personagens frente à crise, seus dilemas morais (ou a falta deles) e de outro, as cenas de ação que mostram as tentativas dos antipetrianos de resistir ao ataque do Caxinã.

A arte é toda feita à mão, em branco e preto, inclusive balões e efeitos sonoros, algo a mais a ser apreciado e valorizado na obra.

O desfecho da história é de algum modo poético e reflexivo trazendo algum pessimismo que parece pairar na zeitgeist brasileira… Se você curte Kaijus, fica minha recomendação! Logo mais, vamos comentar aqui sobre outra obra do autor, Ilhas dos Ratos.

Visite a loja do autor e seu perfil no Fliptru onde você poderá ler algumas HQs no formato digital.

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