Dungeon Crawler Carl continua insano — mas começa a mostrar o peso da própria ambição

Já compartilhei aqui minhas impressões sobre os primeiros livros da série Dungeon Crawler Carl, de Matt Dinniman.
Você pode conferir as resenhas anteriores:
Quando comecei, ainda não tinham saído traduções aqui no Brasil. Mas agora sim, já temos os primeiros, começando com:
Carl, o explorador de masmorras: Uma literatura de RPG intergaláctica
Também tive a oportunidade de traduzir e comentar uma entrevista com Matt Dinniman, onde o autor fala sobre a criação da série, o crescimento inesperado do público e alguns bastidores desse universo caótico.
Agora cheguei aos livros 6, 7 e 8: The Eye of the Bedlam Bride, This Inevitable Ruin e A Parade of Horribles.
Sem entrar em spoilers importantes, posso dizer que a série continua sendo uma das experiências mais criativas e imprevisíveis que já encontrei. Ao mesmo tempo, esses volumes mostram uma mudança interessante: conforme a história cresce, o universo se torna mais complexo, o elenco aumenta, as conspirações galácticas ganham espaço e o próprio funcionamento da dungeon começa a revelar camadas cada vez mais bizarras.
O resultado é uma leitura que continua extremamente divertida, mas que também passa a enfrentar alguns dos desafios naturais de uma saga gigantesca. Há momentos brilhantes, alguns dos melhores da série até agora, mas também trechos em que a quantidade de personagens, sistemas, facções e regras começa a pesar no ritmo.
Ainda assim, Carl, Donut e sua improvável família de sobreviventes continuam carregando a história com o mesmo humor absurdo, senso de aventura e carga emocional que fizeram de Dungeon Crawler Carl um fenômeno entre os leitores de fantasia e ficção científica.
Vamos aos livros, com possível spoilers leves, a partir daqui:
Livro 6 – The Eye of the Bedlam Bride
Certamente o meu favorito entre esses três. Este foi muito hilariante. Total vibe de Pokémon Trading Card Game, kkk. Ri demais dos totens. O Geraldo então é sensacional. Também adorei os cenários em Cuba.
Os orixás cubanos/brasileiros também são muito legais de se ler. Neste livro a Samantha (cabeça de boneca sexual endemoniada) esteve ótima. As batalhas com dinâmica de pokemons e cartas foram insanas e o desfecho certamente um dos mais grandiosos.
Alguns dos pontos que mais gostei neste volume foram:
- Cuba pós-apocalíptica.
- Mecânica inspirada em cartas colecionáveis.
- Totens absurdos.
- Samantha roubando cenas.
- Grande aprofundamento emocional de Carl, Mordecai e outros personagens.
- Meu favorito desde The Butcher’s Masquerade.
Livro 7 – This Inevitable Ruin
Gostei da dinâmica nova e mais aberta de um “war game” em mapa aberto. Gostei da questão das fações, como se aliam, como se eliminam. Tem uma dinâmica de escopo aberto bem interessante. O enredo é bem interessante, balanceando alguns problemas pessoais, técnicas interessantes de combate em massa e desenvolvimento dos personagens.
Alguns pontos de destaque:
- Faction Wars.
- A cidade de Lacarros como cenário de batalha final.
- Política, alianças e traições.
- Escala enorme sem abandonar os personagens.
- Samantha continua brilhando.
- Algumas partes longas por causa da logística da guerra.
- Um dos melhores livros em termos de desenvolvimento emocional.
Livro 8 – A Parade of Horribles
Neste livro, temos os 10° e 11° níveis da masmorra “Dungeon Crawl World: Earth.” O décimo andar é uma espécie de corrida maluca com os Crawlers divididos em grupos que seguem fazendo corridas insanas em 7 etapas.
Aqui entram aspectos como veículos e montarias, e gremlins engenheiros para dar manutenção e upgrade nos veículos.
A ideia do andar é boa, mas durante a execução, algumas passagens ficaram cansativas. Uma coisa legal nesse livro foi ver um pouco mais dos Crawlers brasileiros, Osvaldo e Felipe… Pena que ele não explorou muito o fato da raça do Osvaldo ser curupira. O melhor é o nome do time deles, Team Flamengo, kkk. Hilário.
Uma história paralela que acontece é um “exploit” da masmorra para contrabandear crawlers para fora e salvar suas vidas. A masmorra continua sendo brutal e com altos níveis de mortalidade. Carl e Donut continuam no centro da história, acompanhados por aliados já conhecidos como Prepotente, Elle, Louis e Samantha.
Pontos de destaque:
- Corrida maluca no décimo andar.
- Veículos, montarias e gremlins mecânicos.
- Participação divertida dos brasileiros e do Team Flamengo.
- Exploração maior dos bastidores da resistência.
- IA cada vez mais instável (e insana).
- Mitologia da Scolopendra ganha destaque, mas foi um dos elementos que menos funcionou para mim.
- Primeiro volume que realmente parece sofrer com excesso de extensão.
Se os livros 3, 4 e 5 mostravam uma série em plena ascensão, os livros 6, 7 e 8 mostram uma série tentando sustentar uma ambição cada vez maior. Nem tudo funciona perfeitamente, mas quando funciona, Dungeon Crawler Carl continua entregando alguns dos momentos mais criativos, emocionantes e absurdamente divertidos da fantasia contemporânea.
E mesmo quando tropeça no próprio tamanho, continua sendo uma das séries mais criativas e imprevisíveis que já li.







