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Categoria: Dicas de Escrita

Criação de personagens – parte 4

Created by Naulicreative – Freepik.com

É preciso escrever o livro

Continuamos falando sobre a criação de personagens, é claro que não dá para criar tudo sobre o personagem antes de escrever o livro. Você pode definir muitas coisas: visualizar o personagem, procurar ouvir sua voz, pensar sobre vários aspectos de sua vida e relações, etc. Mas a criação de personagem, de verdade, toma forma na medida em que escrevemos nossas histórias.

E há ocasiões que podemos começar a criação à partir de uma ideia geral (contrariando o que vimos antes). Imaginar alguém, numa determinada situação, e a partir daí, expandir aos poucos a visão sobre quem é essa pessoa. Talvez alguém que está em casa, um momento antes de tomar uma importante decisão para sua vida. O peso de seu passado recai todo sobre aquele momento, o momento que ela decide tomar uma atitude diferente, mudar sua vida.

A importância da intuição

Nesse caminho vamos nos levando pela intuição. O personagem confronta uma nova situação e sentimos que ele não faria tal coisa, não diria aquilo. Um senso de existência e coerência começa a se formar. Não estou dizendo que neste caso você vai criando tudo do nada. O mesmo vale, se você já gastou algumas semanas rascunhando o personagem, como vimos nos capítulos anteriores. O ponto é que agora, estamos em ação, escrevendo uma cena, construindo um capítulo. E muitas vezes, apenas nesse momento, aspectos importantes do personagem começam a surgir. Ou seja, o que quero dizer é que não dá para ficar parado para sempre fazendo exercícios de visualização, é preciso sentar e escrever. Ver o que acontece. Realmente, este é o momento de entrar na pele do personagem.

Também, há momentos que vamos sentir que não dá para ir adiante. Que travamos em nossa história. Um bom artifício é ter um outro personagem na manga. Ao colocar esse segundo personagem em cena, de preferência em conflito ou numa situação desconfortável, fará vir à tona a manifestação de caráter do seu personagem principal.

A importância dos erros

Lembre-se de permitir que seu personagem cometa erros. Que faça coisas ruins, mesmo que não seja alguém mau. Seja capaz de escrever sobre eles fazendo coisas ruins e antipáticas, sem transformá-los em algo caricato demais.

Acessando a profundidade dos personagens

É importante fazer os personagens se destacarem para nossos leitores. Mostrar que possuem profundidade, suas complexidades e almas. Muito se fala sobre uma boa história ser composta de uma sequência frenética de ações. Mas às vezes, para penetrar na alma do personagem, é preciso desacelerar um pouco. É um caminho para  entrar na sua vida interior. Na cultura oriental existe um conceito de lugar vazio, momentos em que nada acontece. Mas ao mesmo tempo acontece algo nesses momentos de nada. Vemos isso na obra do diretor de cinema (animação) Hayao Myazaki (Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro, Ponyo, Serviço de Entregas da Kiki, Castelo Animado, etc). Em todos seus filmes, há momentos de pausa, momentos em que os personagens param para apreciar o ar noturno, observar a natureza, ou fazer coisas comuns como ir à cozinha comer um biscoito (ou seria bolacha?). É o que chamamos de slice of life. Por que todas as sequências de ações são uma plataforma para o que acontece por dentro.

E o mundo interno de seu personagem, suas decisões e ações, são os instrumentos que temos para fazer o leitor se importar com seu personagem.

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Criação de personagens – parte 3

Formas de expressão do personagem e seu mundo interno

Benjamin’s Portrait
Lady Orlando – https://www.flickr.com/photos/ladyorlando/

Continuando a falar sobre a criação de personagens, vamos focalizar agora nas formas de expressão de seu personagem e seu mundo interno.

O leitor irá se interessar por um personagem que pareça real. Para isso é necessário dedicar tempo refletindo sobre quem ele é. Aqui vão mais algumas dicas que vão ajudar nisso.

Faça os seguintes questionamentos para ajudar na construção do personagem:

Que tal começar pensando nas peculiaridades, tiques ou maus hábitos de seu personagem?

Essas coisas são o que os outros observam nele. Seu mundo exterior. Agora, entrando na mente de seu personagem… Será mais fácil escolher tais atributos depois de investigar, mais a fundo, seus pensamentos.

Quais são as as preocupações dele?
As pessoas pensam o tempo todo, é muito difícil parar de pensar. O que seu personagem geralmente tem em mente? O que ele valoriza? O que odeia? Quais são seus sonhos e esperanças? Quais são seus medos?

Desejos

O que um personagem deseja, em especial, é algo muito importante na sua criação. Isso poderá ajudar a constituir o motor de sua história, o combustível para a trama. O que seu personagem quer?

O mundo interno de seu personagem molda a forma que ele cuida de sua aparência. Que tipo de roupas gosta de vestir? Usa maquiagem? Tem o hábito de se olhar no espelho?

Como ele se comporta quando está alegre, ou nervoso? Aparece algum tipo de tique ou mania? Passa as mãos no cabelo? Gesticula enquanto discute? Balança o pé quando está sentado? Fecha os olhos quando dá gargalhadas? Coloca um cigarro na orelha?

Pense nessas particularidades, mas não use demais. Uma pitada aqui, outra ali, para não ficar cansativo. Escolher e usar muitas peculiaridades podem até deixá-lo artificial ou ridículo.

Faça o mesmo exercício para os personagens secundários. 

O que irrita seu personagem? Tem alguma comida ou bebida que não conseguem resistir? Um vício ou obsessão? Ele ama acarajé, ou milk shake?

Há algo de sua infância que permaneceu para a vida adulta? Algum hobby? O que ele guarda na geladeira, ou numa despensa e que não pode faltar? Cerveja? Chocolate? Pimenta?

Onde ele dorme? Numa cama? Rede? Onde der? O que guarda debaixo da cama? Ou no seu criado mudo? Gosta de ler? Tem algum livro, ou autor favorito?

Imagine coisas sobre seu personagem dia e noite. (mas descanse)

Qual sua piada favorita? Ou história favorita? Possui algum animal? Qual sua relação com este?

Qual foi a pior coisa que seu personagem já fez? Ele sente remorso?

Tem alguma mania ao falar? Alguma frase que costuma repetir, ou expressão? Todos tem, observe e verá.

Qual sua peça de roupa favorita? Um boné? Um determinado par de meias? Luvas? Uma gravata? Uma camiseta estampada? Qual é a estampa?

Qual foi o último filme ou livro que leu? Alguma história que adorou? Alguma que odiou? Ou ele não gosta de ler? Gosta de fazer o que para passar o tempo?

Invista no seu personagem

Quanto mais você se conectar a todos detalhes que puder imaginar de seu personagem, mais perto estará de criar um personagem que os leitores tenham chance de gostar. Essas informações vão ajudá-lo a tomar decisões a respeito de seu personagem e refinar sua criação ainda mais.

Cada pedacinho que criar e que estiver em suas anotações a respeito do personagem ajudará a construir um ser humano. Essa é a sua meta. Não listar ideias sobre pessoas, mas trazer uma pessoa de verdade à vida no papel.

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Criação de personagens – parte 2

Dando sequência à criação de personagens, vamos começar a explorar o desenvolvimento destes. Falamos sobre visualizar, ouvir e cheirar seu personagem. Agora, vamos falar um pouco sobre como refinar e desenvolver nossos personagens. Não vou dar uma fórmula aqui, até por que isso não existe. Mas sim, falar do processo e das ferramentas que podemos usar. Ferramentas que estão dentro de nossa cabeça.

A primeira coisa é que há muito que sabemos e imaginamos sobre um personagem que não vai para as páginas de sua história. Além de visualizar e conceber é importante também saber o que excluir, ou deixar implícito. Se você pensa sobre seu personagem, ah ele é narcisista e arrogante. Poderia simplesmente dizer ao leitor: fulano é narcisista e arrogante. Mas toda a questão não estar em dizer isso diretamente, mas sim, em mostrar isso através de suas ações, através de seus diálogos.

Que coisas que sei sobre meu personagem e escolhi não dizer?

Além dessa reflexão inicial, vamos ver dois atributos que todo escritor precisa desenvolver para refinar e desenvolver seus personagens: observação e empatia.

Observação é olhar atentamente para as pessoas, sua aparência, o que dizem, como se comportam, como interagem. Sim, porque seu personagem não está mais sozinho. Para ele ganhar vida, precisa interagir com antagonistas, personagens primários e secundários. Essas relações, você como escritor, consegue construir graças a sua capacidade de observação.

Já a empatia é um exercício um pouco mais difícil. É entrar na pele dos personagens. Ver o mundo, vivenciá-lo e sentí-lo de sua perspectiva particular.

  • Como ver o mundo com os olhos de uma criança, ou de um vilão?
  • Como penetrar na alma desses personagens?
  • Como descobrir o que estão sentido? O que eles querem? Quais suas motivações? Ele sente-se empolgado, animado, em relação ao que deseja? Ou triste e frustrado?

Esse é o trabalho do escritor, exercitar sua imaginação: sentir, entrar na pele, criar e  imaginar. Isso é um treino, requer prática. É o caso de tirarmos um tempo para refletir sobre o personagem. Um pouco de cada vez, muitas vezes, não há tempo suficiente para ficar horas meditando sobre o assunto. Mas vale o exercício de tirar alguns minutos para fazer isso diariamente.

Mas é importante também selecionar. Seu personagem é parte essencial da narração. Então deve pensar em como fazer a história fluir, destacar o personagem, fazê-lo visível para o leitor. Fazê-lo avançar a história. Isso inclui pensar em deixar coisas de fora, você imagina, vê, ouve, cheira e depois, seleciona. O que fica? O que não entra na história diretamente, mas pode servir de referência, eventualmente?

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Criação de Personagens – parte 1

Como criar personagens bons e memoráveis?

Se a trama é o esqueleto de uma história, os personagens são seu coração. Na ficção os personagens são o elemento central, a base de tudo.

Mas por onde começar?

Criar personagens é um exercício mental. Talvez, o melhor lugar para começar seja procurar visualizar suas características físicas. Bem, aqui não estamos falando apenas de ver sua aparência física, altura, constituição corporal, cor dos olhos e cabelos, mas também, um exercício de todos os sentidos. Que ruídos eles fazem, qual o som de sua voz, de que jeito falam, com qual sotaque, que cheiro costumam ter, etc?

Por que você quer esse personagem no centro de sua história? O que há de interessante e particular nele que vale a pena mostrar para os leitores? Sua história é sobre quem? Um solteirão incorrigível? Uma engenheira que sobreviveu a um desastre? Uma feiticeira poderosa? Um príncipe proscrito?

Um personagem crível e interessante tem boas chances de surgir se você buscar inspiração em pessoas que você conhece. Não estou dizendo para transformar sua mãe ou irmãos em personagens, mas talvez, alguns aspectos dessas pessoas mais próximas, e que você conhece como ninguém, poderão inspirar a concepção de sua personagem.

Antes disso, temos como referências, nós mesmos. O que é profundo em você mesmo e que poderia vir à tona como característica de um personagem? Siga nesta ordem, para buscar inspiração:

  1. De você mesmo;
  2. Sua família;
  3. Seus amigos próximos;
  4. Seu círculo/grupo social;
  5. Sua cultura.

O coração de um personagem interessante não é uma série de qualidades. Seu coração é  alguém que você desenvolve na sua imaginação, e depois, coloca no papel.

Exercite a visualização do personagem. Pense nos seguintes atributos físicos:

  • Altura
  • Cor da pele, dos cabelos
  • Formato do rosto

O que há de peculiar nele?

Se aprofunde mais

Agora que consegue vê-lo fisicamente, é preciso ouví-lo, cheirá-lo. Use todos os sentidos ao imaginar um personagem. Tem cheiro de sua comida favorita? Comida chinesa? Alho porque estava cozinhando? Usa algum perfume?

Ouça sua voz. Fala rápido ou devagar? Possui algum sotaque? De que cidade? É do interior? De que parte do país? Alguém de São Paulo vai soar diferente de alguém de Belo Horizonte, Salvador ou de Florianópolis. Então, você pode pensar em como ele soa e tentar escutar sua voz dentro de sua cabeça. Como se expressam? São expansivos e usam muito a linguagem corporal? São tímidos, comedidos?

A tarefa do escritor é dar vida aos personagens, para tal, é preciso meditar e fazer exercícios de visualização. Exercícios de escuta. Vale muito investir nisso. A imaginação é sua principal ferramenta. Use-a. Invista tempo em imaginar seus personagens. Tome notas. Imagine de novo. Faça isso até sentir que conhece essa pessoa muito bem.

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